Não escrevi anteriormente para não cair no erro de comentar um assunto de tamanha repercussão no calor dos acontecimentos, uma vez que o ser humano tende a ser irracional na ardência do fogo das discussões.
Pois bem, uma semana após o bom clássico, dentro de campo, uma vez mais alguns seres humanos, irracionais e não pensantes trajados de uniformes, e aqui não importa a cor verde e branca ou preta e branca, tidos como torcedores destas agremiações, mostraram-nos até onde a brutalidade e a ignorância podem nos levar.
Não devemos “chover no molhado” e falar o óbvio ululante de mais este incidente inaceitável, mas sim uma reflexão da atual situação de nossa segurança nos eventos esportivos, bem como o despreparo do Estado e algo que venho batendo faz muito tempo: “o ser humano perdeu o amor pela sua própria vida e também pela do próximo”.
Em mais um incidente dois torcedores foram assassinados por representantes de agremiações rivais, e assim aumentaram uma triste lista de pessoas que perderam suas vidas em eventos esportivos.
Para mim é inconcebível que torcedores confrontem-se nas mídias sociais e marquem ou façam emboscadas para encontros de pura violência e barbárie.
Neste último domingo, a torcida organizada Gaviões da Fiel, ligada ao Corinthians, em uma atitude irracional resolveu se vingar da morte de um torcedor corintiano que fora assassinado e jogado no Rio Tietê no ano passado.
Com este intuito houve uma briga generalizada na Avenida Inajar de Souza e torcedores de organizadas de Corinthians e Palmeiras, que para mim não merecem esta nomenclatura, tendo em vista que torcedor é aquele que torce e/ou apoia a algo ou alguém, e não que briga e mata a seu semelhante, num confronto campal, violento e armado de paus, barras de ferro e revolveres, dois jovens torcedores do Palestra foram assassinados com tiros na cabeça.
Após um breve relato sobre o que ocorreu, fica aqui minha reflexão:
Até quando vamos assistir de braços cruzados pessoas feridas, aleijadas e mortas?
Sou alguém que gosta de frequentar estádios de futebol, mas que não tem coragem de ir a jogos com torcidas rivais, haja vista a violência.
O Estado não dá o aparato técnico e nem coloca contingente necessário para estes eventos.
A Constituição Federal garante o acesso ao lazer e o Estatuto do Torcedor(Estatuto do Torcedor ) trata de diversos direitos dos torcedores que acompanham os eventos esportivos, em que pese um capítulo todo dedicado à segurança, sendo essa a realidade ideal
Na realidade fática os incidentes são constantes, mas não há uma atitude do Estado com políticas públicas que coíbam estes tristes fatos.
Quero crer que estes dois torcedores mortos não entrarão para uma lista e serão apenas números.
Quantos(as) pais/mães; filhos/filhas; irmãos/irmãs; amigos/amigas, ... terão que chorar junto ao caixão de seus entes queridos que brutalmente perderam suas vidas?
O ser humano, em minha humilde opinião, não tem mais amor por sua vida e pela do próximo, haja vista o aumento de: acidentes envolvendo pessoas que livremente bebem desenfreadamente e tomam a direção de seus veículos e os “utilizam” como arma e ceifam vidas; de assassinatos em família; etc... No que tange o esporte, que deveria ser meio de diversão para aqueles que o acompanham, este pensamento continua presente, pois não é possível que alguém em sã consciência saia de sua casa somente para bater no próximo até matá-lo.
Assim sendo, no que diz respeito aos meus ideais e sugestões: valorização do próximo; amor próprio; responsabilidade; maior e melhor atuação estatal; implementação de políticas públicas de conscientização e controle social formal e informal, e principalmente uma mudança de atitude de toda nossa juventude, temos as mídias sociais e devemos lutar por um país melhor.
Deixo aqui para que vocês exponham suas opiniões, ideais e sugestões para mudar este triste rumo do nosso esporte, e para isso uma música do Gabriel Pensador.